Archive | 12. dez, 2008

Deixa o mundo girar…

12 dez

 

100alegria2_35mm

 

Sabe quando aparece alguém que diz exatamente o que você precisava ouvir naquele exato momento? Pois é, hoje me apresentaram uma música chamada ” Deixa o Mundo Girar”, de um grupo português chamado Pólo Norte. A letra é linda e merece um espaço aqui:

 

 


Quantas vezes vais olhar para trás

Estás preso a um passado que pesou

Quantas vezes vais ser tu capaz

Fazer sair quem por engano entrou

 

Abre a tua porta, não tenhas medo

Tens um mundo inteiro à espera para entrar

De sorriso no rosto talvez o segredo

Alguém que te quer falar

 

Olha em frente e diz-me aquilo que vês

Reflexos de quem conheces bem

Ouve essa voz é a tua voz

Dá-lhe atenção e a razão que tem

 

Abre a tua porta, não tenhas medo

Tens um mundo inteiro à espera para entrar

De sorriso no rosto talvez o segredo

Alguém que te quer falar

 

Deixa o mundo girar para o lado que quer

Não o podes parar nem tens nada a perder

Estás de passagem

Não o leves a mal se te manda avançar

Talvez seja um sinal que não podes parar

Estás de passagem

 

Vai aonde queres

Sê quem tu quiseres

Estende a tua mão

A quem vier por bem

 

Abre a tua porta, não tenhas medo

Tens um mundo inteiro à espera para entrar

De sorriso no rosto talvez o segredo

Alguém que te quer falar

 

Deixa o mundo girar para o lado que quer

Não o podes parar nem tens nada a perder

Estás de passagem

Não o leves a mal se te manda avançar

Talvez seja um sinal que não podes parar

Estás de passagem

Coisa Alguma

12 dez

 

 

solidao

 

Fuçando no blog Não Dois Não Um, encontrei um texto MARAVILHOSO, o Coisa Alguma de Fábio Rodrigues. Desculpe o “roubo”, mas gostei tanto que tive que postar aqui.

COISA ALGUMA
Fábio Rodrigues

“A cada dia
Vamos mais perto
Do outro, daquele,
Enfim, o certo.”

Não servirão as preces que aprendemos na infância ou essas que às vezes murmuramos. Que um homem tenha morrido, não nos serve, seu sofrimento ou o de outro – importa pouco: somos iguais em dor. Estes desenhos que você faz ainda, aqueles que eu mesmo costumava fazer. A memória, essa voz, essas imagens que nos assombram sem cessar. O esquecimento que às vezes desejo, que às vezes detesto. O filme e a música que outro dia nos fez chorar. O instrumento que eu quis tanto aprender – que nao é mais que madeira e aço. As pessoas por quem nos perdemos em paixão e a própria paixão que é a mesma, sempre. As três palavras dos que amam (as mesmas, sempre), que prometemos não esquecer – não lembramos então que prometer é desnecessário. O filho que eu temo mas terei, e o teu que não vou conhecer. A história que poderia ter sido nossa, a outra vida que sigo imaginando. O trabalho, a persistência, a resignação, o pão, a amizade e todas as coisas pelas quais nao me interessei. A soberba. O desamor. A morte. O meu medo, o meu medo sem fim. Coisa alguma nos salva.
E ademais estamos sós. Eu te falo e te ouço, tocamos as mãos e nos olhamos, às vezes, com uma pequena alegria ou um secreto desengano, e ainda assim, ainda assim não nos encontramos. Do início a um fim que entrevemos com pavor disfarçado, lado a lado, atravessamos sós.